NO MEIO DO CAMINHO HAVIA UMA PEDRA, OU MELHOR, UM TAPETE



Um tapete no meio do caminho é algo comum que pode transformar uma pessoa em um cadeirante temporário. Foi isso que aconteceu com a Aline, coordenadora BIM da Platz Arquitetos. O que fizemos com isso? Uma pesquisa de campo, claro.

Depois de quebrar a perna, ficar alguns dias de molho e alugar uma cadeira de rodas para poder se deslocar, Aline voltou ao trabalho. Em uma manhã tínhamos 2 compromissos. Reunião com um cliente em um Edifício de Escritórios foi nosso primeiro destino. Paramos o carro no estacionamento interno e felizmente havia vaga de cadeirante desocupada, já que vez ou outra encontramos carros que não carregam cadeirantes parados na vaga PNE só um minutinho. O piso do estacionamento não facilitou nosso deslocamento, pois não era regular o suficiente e suas reentrâncias dificultavam a cadeira se mover. Dentro da sala da construtora onde tínhamos reunião, a cadeira passou apertada entre os móveis, e após algumas manobras foi possível chegar a sala de reuniões.


1ª lição: atentar para pisos onde se deslocam pessoas e cadeiras de rodas. Eles precisam ser antiderrapantes, regulares, firmes e estáveis.


2ª lição: arquitetura de interiores também precisa pensar na acessibilidade. Percebemos que alterações simples no projeto de marcenaria teriam dado mais facilidade a circulação da cadeira de rodas.

Nosso segundo destino foi um Banco e precisávamos atravessar a rua.Notamos que do outro lado havia uma vaga PNE (vaga para Portadores de Necessidades Especiais) mas sem a rampa de acesso a calçada. Na verdade, não havia rampa para cadeirantes em nenhum dos lados da calçada e o jeito foi procurar rampas de acesso de carros para podermos atravessar a rua. Isso nos custou um deslocamento de uns 80 metros a mais, o que pode parecer pouco, mas não para um cadeirante. Além disso, as rampas para carros não são na inclinação indicada para cadeiras, e deu bastante trabalho para chegarmos do outro lado da rua. Fora o receio da cadeira tombar. Uma tarefa que poderia ser simples ficou bastante penosa.

3ª lição: rampas de carros não são adequadas para cadeiras de rodas.


4ª lição: prever rampas acessíveis nas esquinas, conforme solicita a legislação.

Entrar no banco foi outro capítulo. A entrada do cadeirante fica trancada e tivemos de esperar bastante até a chave aparecer. Depois disso, apesar da entrada estar toda sinalizada conforme a norma, havia um degrau de cerca de 2cm onde deveria haver uma rampa. Entendemos na prática o porquê da  NRB9050 exigir que desníveis com mais de 0,5 centímetro de altura sejam tratados com  rampas.


5ª lição: desníveis com mais de 0,5 centímetro devem ser adequadamente tratados para serem acessíveis.

Percebemos que o interior da edificação utilizada pelo banco tinha todas as adequações solicitadas pela norma, mas a execução estava inadequada. Havia o degrau maior do que recomendado, reentrâncias no piso onde a cadeira poderia ficar presa e outros detalhes que podem passar despercebidos a população em geral, mas não a uma pessoa portadora de necessidades especiais.


6ª lição: a execução é tão importante quanto o projeto. O que está previsto em norma e detalhado em projeto precisa ser executado para termos um resultado adequado.

Bem, terminamos nossa manhã com a sensação de que já caminhamos, mas ainda estamos longe de termos uma cidade acessível. Nossa sincera admiração aos cadeirantes que enfrentam essa realidade todos os dias. Mas saibam que estamos com vocês nessa batalha por uma cidade mais acessível e com mais respeito por todos!

A Platz Arquitetos está atualizada e aplica a NBR 9050-2015 em todos os seus projetos. Não somente pela obrigatoriedade de se seguir a norma, mas por entender a importância dela ao atender os direitos de cada cidadão.


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